Notícia: “Pedi pra estar vivo para passar o dia dos pais com meus filhos”, disse farmacêutico antes de ser intubado

Publicado em 11/08/2021

“Pedi pra estar vivo para passar o dia dos pais com meus filhos”, disse farmacêutico antes de ser intubado


“Pedi pra estar vivo para passar o dia dos pais com meus filhos”, disse farmacêutico antes de ser intubado

A vontade de rever os filhos, Maria Fernanda, de 11 anos, e Demis, de 23, foi força para que lutasse pela vida. Ele começou a passar mal em agosto de 2020 e foi internado pouco antes do Dia dos Pais, no Hospital Marcelino Champagnat, em Curitiba. “Após dois dias, tive uma piora significativa e fui para a UTI, permanecendo lá por 22 dias. Dentre esses 22 dias, fiquei intubado 10 dias, pois tive pneumonia severa nos dois pulmões, os quais foram atingidos em 90%. Foi uma luta dura contra um vírus ainda em conhecimento.”

O médico intensivista Jarbas da Silva Motta Junior, coordenador da UTI do Hospital Marcelino Champagnat recorda que o caso de Raphael foi muito marcante. “Ele precisou ser intubado um dia antes do Dia dos Pais e pouco antes do procedimento fez com que eu prometesse que, neste ano, ele estaria perto dos filhos nesta data. Isso me marcou, já que sou pai e desde o início da pandemia estou na UTI atendendo pacientes com covid. Foi muito emocionante ver ele melhorar a cada dia e ser recebido pela família. Todos os casos são um desafio e, infelizmente, nem sempre o final é feliz", aponta.

A oncologista Maria Cristina Magalhães, prima de Raphael, auxiliou nos cuidados hospitalares. “Ela foi me ver e eu segurei a mão dela com tamanha força que quase a machuquei, pois queria que ela ficasse lá comigo. Ela foi um anjo na minha vida. Meus familiares fizeram grupos de oração no whatsapp e graças à fé, Deus, os médicos e toda a equipe de enfermeiros, técnicos, psicólogos, radiologistas, farmacêuticos, bioquímicos, zeladoras, fisioterapeutas, enfim, de todos os envolvidos que, de alguma maneira, contribuíram pra eu estar vivo.”

Raphael conta que quando pode ver o celular tinha mais de três mil mensagens de apoio. “Da minha mãe, pai, irmãos, meus filhos, minha esposa, meus enteados, minha família todinha, meus amigos, de clientes que eu atendo na farmácia onde trabalho, dos companheiros de trabalho. Me emocionei em saber o quanto eu sou importante pra eles.”

O reencontro especial foi com a filha. “Ela disse que orou bastante pra que eu voltasse , e que pediu a Deus todos os dias pra que eu ficasse bem enquanto estava no hospital. Quando eu pude falar com ela, pelo whats, chorei muito de alegria de estar vendo ela, que disse não ver a hora de eu estar em casa pra me abraçar. O 'eu te amo', que já era intenso, hoje ficou ainda mais”, garante Raphael.
 
Pós-Covid
O pai voltou para casa no fim de agosto, com 22 kg a menos, no oxigênio e sem andar, pois perdeu muita massa muscular. “Fiz fisioterapia respiratória e motora para fortalecimento pulmonar e físico. Após três semanas, voltei a trabalhar, com algumas restrições, sem muito esforço e com pausas para descanso. Graças ao bom Deus, não fiquei com sequelas graves. Meus pulmões estão perfeitos, mas fiquei com duas cicatrizes grandes na testa, devido à escara por ficar pronado (de bruços) por muito tempo, e perdi a sensibilidade no couro cabeludo e na panturrilha da perna direita. Hoje em dia estou bem, e passarei o dia dos pais com meus filhos e família”, comemora. "Vamos passar juntinhos.”

 


Créditos da Notícia: Mauren Luc
Fonte: Revista Crescer Globo

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